"Amar é um elo
entre o azul
e o amarelo"
Leminski
desenho: Diego
ao pé do ouvido: Polytrick - Akufen
bobagem pouca, besteira....
“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”
Mais uma vez me deparo com o Santo Jorge, figura constante nos pensamentos soltos, figura essa admirada por muitos, adotado por milhares como São Salvador. Particularmente adotei-o como cotejo, não como santo mas como homem de carne e osso fiel ao seus ideais. Por isso abro aspas para o texto de um amigo super talentoso (entre outros adjetivos), Vitor Pimentel.“A possibilidade de escolher um Santo é uma das poucas práticas democráticas da Igreja Católica.
Não sou católico, sequer batizado – há quem diga que, por causa disso, eu tenho bilhete garantido e expresso para o inferno; eu prefiro crer que os critérios da “salvação” são outros -, mas a imagem de São Jorge sempre me arrebatou.
Nem tanto pela imponência de sua lança, cavalo ou armadura. Simplesmente porque seu olhar me dá segurança. E como se estivesse sob vigia - e vigilia – de um Ser em que é possível confiar; de olhos fechados; peito aberto e com as guardas abaixadas.
Eis a natureza da minha fé!
As vezes penso em São Jorge sem dragão, sem Lua, sem santidade. Um comum, um ordinário; um Jorge qualquer como eu e como você, mas com o poder de, como roga sua oração, manter afastados os inimigos, de assegurar minha liberdade, sem correntes ou grilhões, sejam eles(as) de que tamanho, material ou natureza forem.
Assim creio no meu santo”
ao pé do ouvido: Prévia do amanhã - Fluxo
foto: Gabriella Cavalcante
É assim quando aparece, inigualável. Inefável na maioria das ocasiões. Já li inúmeras explicações a respeito, balela. A quem sinta quando se está apaixonado, ansioso, ou até , mesmo com medo. Tentar explicar é fútil, frívolo, vão. Borboletas no estômago, expressão inexata para sentimentos únicos, particulares. Os olhos também brilham segundo especialistas amorosos, tolice. A cada dia que passa o mercado do amor cresce com uma avidez espetacular, acabam esquecendo (levando em conta) que somos movidos por sentimentos, até os mais brutos rendem-se aos encantos do coração, bobagem.
Retire da gaveta seu mais belo poema, compre uma dúzia de flores, dizer que ama também faz parte de cerimônia, apaixone-se mais uma vez. Corra riscos, não medir esforços é uma boa saída, permita-se, a final de contas está dentro de você.
As borboletas.
Tento não ser pragmático, mas o diagnostico é simples, sintoma impar – saudade. Costumam prescrever livros de auto-ajuda, chá de esquecimento, bolo de nova vida, feijão com novos ares, mas não há provérbio chinês que controle a enfermidade. Buscando outros métodos encontramos o ocupe seu tempo com coisas úteis, procure fazer novas amizades. Paliativos são infinitos, inúteis. Encontro nas ruas nomes estranhos, endereços e rostos que nunca vi, palavras incompreendidas, sotaque carregado, avenidas que não levam a lugar nenhum.
Procuro identificar em cada olhar, sorriso, ou gesto, alguém mais próximo do que eu quero, do que eu preciso do que eu busco, nenhum resultado, em vão.
Encontrei uma bula, estava escrito: Calce seu chinelo e volte para casa; ouça sua mãe pedindo pra tomar cuidado; escute seu pai reclamando da hora que chegou em casa; jogos de futebol sempre aos domingos; ame seus amigos. Tome isso intensamente, 24 horas por dia, 7 dias na semana, não há contra indicação, não necessita prescrição médica.
